Os Ruminantes são animais herbívoros poligástricos (mais de uma câmara estomacal) que conseguem fazer o alimento voltar do estômago para a boca novamente (ruminar / regurgitar). Alguns representantes são: bois, vacas, carneiros, girafas e cervos.

Os Ruminantes possuem tubo digestório com quatro câmaras. Dessas quatro câmaras, três são dilatações do esôfago e uma é o estômago propriamente dito. Essas cavidades ou câmaras são conhecidas como:

  • Pança ou Rúmen;
  • Barrete ou Retículo;
  • Omaso ou Folhoso;
  • Abomaso ou Coagulador.

Esses animais regurgitam (de volta à boca) o material ingerido anteriormente para voltar a mastigar e a diminuir seu tamanho. Após isso, engolem novamente para dar continuidade a extração dos seus nutrientes.

Exemplos de Animais Ruminantes

Os ruminantes são mamíferos herbívoros que conseguem obter todos os seus nutrientes de uma dieta exclusivamente vegetal. Eles comem folhas, caules, ramos, frutos e outras partes de uma planta. Alguns exemplos de animais ruminantes são:

  1. Bovinos (vacas e bois);
  2. Camelos;
  3. Girafas;
  4. Cabras;
  5. Ovelhas;
  6. Búfalos;
  7. Cervos.

Esses são apenas alguns exemplos de animais ruminantes. Todos eles têm algo em comum, a divisão do tubo digestório para regurgitar o alimento e remastigá-lo. Dessa forma, conseguem obter seus nutrientes, pois, em geral, mamíferos não possuem enzimas para quebrar a celulose (carboidrato presente nas plantas).

Exemplos de animais ruminantes (poligástricos)

Principais Características dos Ruminantes

Os mamíferos ruminantes também são conhecidos como herbívoros poligástricos. Isso porque, diferente dos herbívoros monogástricos, eles possuem um sistema digestório especial com três pré-estômagos (dilatações do esôfago) e um estômago verdadeiro (abomaso).

Exemplo de sistema digestório de animais herbívoros poligástricos

Portanto, esses animais possuem quatro câmaras para garantir a extração completa dos nutrientes. Cada um desses compartimentos tem uma função definida no processo digestivo. Entenda cada uma delas:

Rúmen

O alimento deglutido (engolido) entra em contato com o líquido ruminal e sofre homogeneização através dos movimentos das paredes ruminais.

Nesse compartimento ocorre a reserva e fermentação dos alimentos por meio de microrganismos. Os microrganismos presentes no rúmen digerem os carboidratos presentes nos vegetais, produzindo nutrientes e gases como o metano e o CO2.

No líquido ruminal são encontrados microrganismos variados como, por exemplo, protozoários ciliados, bactérias, fungos e leveduras. O tempo em que o alimento ingerido permanece no rúmen varia. Para pastagem jovem (verdes) o tempo é de 1 a 2 dias, em pastagem seca (palha) 5 dias ou mais.

O rúmen possui temperatura de 39 a 40 °C, é um meio anaeróbico, ou seja, não há oxigênio, e seu pH gira entorno de 6 a 7. O rúmen movimenta-se de uma a duas vezes por minuto.

Retículo

Após passado o tempo necessário do alimento no rúmen, o retículo, também conhecido como barrete, promove o retorno do alimento à boca. Esse processo é conhecido como regurgitação. O retículo apresenta movimentação constante e trabalha em sintonia com o rúmen.

Além de promover o retorno do alimento para nova mastigação, o retículo é responsável por eructações. Dessa forma, são liberados os gases formados no rúmen durante a fermentação. Por fim, em animais de grande porte, o complexo formado pelo rúmen e o retículo possui capacidade entre 150 a 210 kg.

Omaso

Essa porção do trato digestório localiza-se à direita do complexo rúmen-retículo. O omaso possui formato esférico e é forrado por lâminas musculares em seu interior. Essa constituição muscular (similar às folhas de livro) auxilia em sua função que é a compressão e trituração dos alimentos ingeridos.

Dessa maneira, promove a redução das partículas alimentares, bem como a absorção de água e sais minerais. Além disso, também absorve ácidos graxos voláteis, como acetato, propionato e o butirato.

Abomaso

Trata-se do estômago verdadeiro dos ruminantes, similar ao estômago dos monogástricos (animais com apenas um estômago).

Sua função é realizar a digestão de proteínas. Para isso, ocorre a produção de enzimas proteolíticas (que quebram proteínas) e a secreção de suco gástrico contendo ácido clorídrico (HCl).

O abomaso, ou coagulador, localiza-se ventralmente ao omaso e estende-se na parte inferior direita do rúmen. Durante a primeira infância de animais ruminantes o abomaso é mais ativo e pode ser 85% maior do que na fase adulta (10 a 15%).

Isso porque, sua dieta inicial é o leite, portanto, o rúmen é menor durante o período de amamentação. Após essa fase, o rúmen aumenta para garantir a extração dos nutrientes necessários da dieta vegetal.

Sistema digestório de ruminantes (poligástricos) com ênfase às câmaras

Diferenças entre herbívoros monogástricos e poligástricos

Os herbívoros monogástricos possuem apenas um estômago, como nós, seres humanos. Contudo, esses animais possuem intestino delgado e apêndice vermiforme muito maiores do que animais carnívoros ou onívoros.

Dessa forma, os herbívoros monogástricos obtêm seus nutrientes, pois além do enorme intestino, há microrganismos que realizam as transformações necessárias para sua nutrição. Logo, essa é uma das principais diferenças entre herbívoros monogástricos e poligástricos.

Exemplo de animal herbívoro monogástrico (cavalo)
Exemplo de animal herbívoro monogástrico

Como os monogástricos possuem apenas um estômago se comparado aos poligástricos, eles não são capazes de regurgitar seu alimento. Por não possuírem retículo, o alimento não retorna à boca para nova mastigação.

Uma característica interessante entre os herbívoros monogástricos é a coprofagia (ingestão de suas fezes). Isso acontece, para a obtenção de alguns nutrientes ainda presentes em suas fezes.

Exemplo do sistema digestório de um coelho - herbívoros monogástricos

Alguns exemplos de mamíferos herbívoros monogástricos são:

  • Cavalo;
  • Coelho;
  • Elefante;
  • Rinoceronte;
  • Coala;
  • Hipopótamo.

Saiba mais:

Referências Bibliográficas

Frandson, R.D.; T.L. Spurgeon (1995). Anatomia y Fisiologia de los Animales Domésticos. Interamericana – McGraw-Hill (5ª edicion), México.

Com informações do Toda Matéria